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Barragem de Quixeramobim volta a sangrar depois de 12 anos

02 de abril de 2023, um dia histórico para a região do Sertão Central. 12 anos depois, a Barragem de Quixeramobim, cartão portal da cidade, voltou a atingir cota máxima e sangrou, trazendo alegria aos quixeramobinenses que ansiosamente aguardavam o momento.

Com parte das comportas jorrando água, vem atraindo centenas de pessoas de todas as partes da cidade e da região, que não viam o espetáculo das águas desde 2011, quando o reservatório registrou sua última sangria. A festa pela beleza de sua sangria é ainda maior por conta de todo período sofrido de seca que Quixeramobim se acostumou a conviver pelos últimos 10 anos, pelo menos.

Desde 2011 quando registrou sangria e até então tinha sido sua última, o reservatório construído para garantia hídrica da cidade se viu em situação delicada. Chegou à cota zero pelo menos duas vezes durante a década, sendo preciso a perfuração de poços no seu leito seco para extrair água que garantisse abastecimento da cidade. Em 2018, o reservatório quase atingiu sangrou, acumulando um volume de 96,68%. Pouco tempo depois voltou ao zero. 2023 iniciou com a barragem seca e em menos de um mês começou a receber recarga até atingir sangria.

A Barragem é um equipamento do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), monitorado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), e integra a Bacia Hidrográfica do Banabuiú. Quando construída, em 1960, a Barragem possuía capacidade para 54 milhões de m³, trazendo segurança hídrica para uma cidade de tamanho e consumo pequeno. Quixeramobim cresceu, a população aumentou e o reservatório, pelo tempo e acúmulo de sedimentos ao longos dos anos sofreu com assoreamento. Em 2008, recebeu uma batimetria (estudo técnico feito para verificar a capacidade de reservatórios) e foi constatado que a capacidade hídrica da Barragem tinha reduzido à 7,88 milhões de m³, o que explica o açude secar tão rápido. Pouca água armazenada e consumo maior.

Paulo Ferreira, antes gerente regional da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), hoje superintendente da Sohidra, revelou a nossa equipe em 2018 que a diminuição da capacidade do reservatório não se deu somente pelo assoreamento, mas também pela execução do projeto.

“De repente o que foi projetado não foi executado ou também possa ser que o projeto determinava a parede em uma certa altura e não foi executado. O certo é que não foi só o assoreamento. […] Caso a barragem estivesse comportando os 54 milhões de m³, a Vila de Belo Monte e parte do Cupim estariam submersos. Além disso, a estrada teria que ser pensada em outro traçado”, ressaltou Paulo Ferreira.

A sangria da Barragem garante aos quixeramobinenses segurança hídrica por alguns anos, embora tenha sido instalada nos últimos anos uma adutora do açude Fogareiro à Quixeramobim, que auxilia o reservatório no abastecimento da cidade. Definitivamente, 2023 ficará marcado como o ano da redenção hídrica da cidade, tendo em vista as recargas significativas que os reservatórios na cidade tiveram, amenizando, pelo menos por algum tempo, a crise hídrica.

Fonte:Repórter Ceará (Foto: Augusto Alves)

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