sábado , 24 fevereiro 2024
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Kuya destaca design latinoamericano feito no Ceará em evento com mais de 30 horas de programação

Qual é a cara do design latinoamericano feito no Ceará? Da renda à xilogravura, passando por trabalhos em couro, barro ou linhas, o Estado coleciona uma série de exemplos reconhecíveis por sua estética própria. O universo do design feito no Ceará fervilha. E tem muita gente contribuindo para que as produções feitas aqui não abram mão da cultura e ancestralidade enquanto desembarcam por outros países. É um design que está no mobiliário, na moda, nas logomarcas, nas soluções criativas para as cidades, nas tecnologias inovadoras. Todo esse universo – e parte de quem o faz – ganha destaque dentro da programação da LADAwards na Kuya – Expo Brasil, realizado de 14 a 16 de dezembro na Kuya – Centro de Design do Ceará, equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará, gerido em parceria com o Instituto Mirante de Cultura e Arte.

Os profissionais Tarcísio Bezerra, Renan Costa Lima, Lorena Costa, Lívia Perdigão e Robson Fernandez abordarão o tema em uma mesa específica para discutir o design brasileiro feito no Ceará. A ideia é ressaltar a qualidade de produção, mas também debater as desigualdades territoriais que marcam esta criação. Durante toda a programação do evento, o público poderá se aproximar e identificar as características desse trabalho. Com profissionais qualificados, instituições de ensino e pesquisa, eventos e premiações, o Estado vê o desenvolvimento do setor, mas também mergulha no debate para superar os desafios.

Imerso na ilustração autoral e experimental, Robson Fernandez trabalha principalmente com branding, criação de identidades visuais para marcas e com ilustração. Seu design tem como principal característica o uso de elementos ilustrativos e expressivos. “Vai contra a máxima do minimalismo e abusa das cores e dos grafismos, muitas vezes até com função apenas decorativa. É um design com uma forte influência artística e bastante diversificado”, pontua.

Permeando entre a ilustração autoral e o trabalho para marcas, ele vê características próprias do design feito no Ceará. Para ele, a principal característica está no fazer em si. “Nós, como cearenses, temos uma cultura de resolução de problemas – agiliza, ajeita, resolve”, explica. Mas não só. Ele vê muita influência da manualidade, não somente a que vem do artesanato, mas a que está nos centros urbanos também. Linguagens experimentais como o lambe, a arte urbana, a interação com a cidade tem grande importância nas nossas influências.

Robson acredita que o Ceará bebe das fontes externas, das tendências e do design acadêmico, mas tem uma capacidade de criação que está na cultura, na gambiarra, no humor. “Temos uma expressão criativa muito forte”, diz.

Lívia Perdigão concorda. “Acredito que a produção local de design se desenha muito pela capacidade de extrair o melhor do potencial criativo de um projeto, a partir de um cenário de recursos muitas vezes reduzidos. Do litoral ao sertão, o ‘jeito brasileiro’ tem especificidades distintas nos contextos de cada parte do nosso país, e no Ceará não é diferente: nossa bagagem está conosco”, acrescenta.

A profissional diz não saber se o design que produz tem uma cara específica, pois depende das particularidades de cada projeto. Mas há algumas similaridades, como o apoio em cores vibrantes na criação de diferentes texturas para contar histórias. Sempre que possível, ela também inclui manualidades que fazem parte do seu processo criativo.

Já Lorena Costa destaca que as marcas do design cearense ultrapassam a esfera dos signos de linguagem mais representativos, como a xilogravura e o artesanato. “O design cearense é muito marcado pela inventividade e resiliência. São produções que se diferenciam pelo repertório de quem cria, pela inspiração do cotidiano popular e da paisagem vernacular”, avalia. Para Lorena, o design cearense transmite uma identidade própria, marcada pela diversidade e pluralidade de linguagens.

Renan Costa Lima é um dos profissionais cujo trabalho estará na exposição por ter vencido o Prêmio Latino-americano de Design – 2023 (Latin American Design Awards), uma das principais premiações da área na América Latina, que reconhece a excelência dos melhores trabalhos gráficos realizados durante o ano por designers, estúdios, criativos e artistas visuais. Para ele, estar fora do eixo Rio-São Paulo permite trabalhar o design cearense com seriedade e leveza, que transbordam a diversidade que cada olhar traz.

Em seu trabalho, Renan apropria-se dos elementos paisagísticos característicos do Ceará, como praia, dunas e sertão que, segundo ele, são referências visuais mas também simbólicas de suas raízes. “Essas coisas que ajudam a gente a traduzir um conceito falado, que pode ser abstrato ou não, e tangibilizar numa imagem que comunica”, avalia.

Um recorte deste design produzido no Ceará será apresentado, celebrado e discutido durante as mais de 30 horas de programação do LADAwards na Kuya – Expo Brasil. O evento é também um momento para celebrar o design latinoamericano e fazer pontes. O diretor-presidente do Instituto Mirante de Cultura e Arte, Tiago Santana, destaca que, ao trazer o Latin American Design Awards pela primeira vez ao Brasil, a Kuya – Centro de Design do Ceará se coloca nesta reflexão não só do que é produzido no Ceará, e obviamente no Brasil, mas com conexão com o que é produzido na América Latina.

“Acho que essa partilha de experiências e de reflexões sobre o design produzido no país vai fortalecer e nos ajudar a construir uma política do design no Ceará a partir desse espaço, desse centro tão importante. É um momento muito oportuno, onde a KUYA se coloca neste cenário internacional, ajudando a ampliar os olhares e as percepções do que é produzido nos nossos vizinhos latino-americanos”, afirma o gestor.

O diretor da Kuya, Rodrigo Costa Lima, salienta que olhar para a produção latinoamericana possibilita que os profissionais cearenses percebam semelhanças e singularidades conosco. Ele também espera promover as discussões sobre o que significa ter um prêmio de design latino-americano, quem pode acessar esse prêmio, quem pode ter esse reconhecimento. “A gente também quer alargar essa discussão para pensar em novas possibilidades, pensar quais poderiam ser os ganhos de ter um prêmio como este aqui”, afirma.

Sobre a KUYA

A Kuya é um equipamento público construído a partir de uma provocação para inserir este campo de atuação no pensamento da gestão e do desenvolvimento das cidades cearenses a partir da chancela da capital Fortaleza como cidade criativa do Design concedida pela Unesco. Acomodado no Complexo Cultural Estação das Artes, o equipamento visa pensar e fomentar a cultura do design no Ceará.

No segundo ano de funcionamento, o equipamento desenvolve uma série de ações que visam desenvolver a área no Estado e também impactam diretamente a vida das pessoas. São pesquisas que vão da história do design no Ceará à inovação, mapeamento da produção autoral cearense e formações para estudantes. Grupos de estudo discutem design e gestão pública, mas também o letramento em design, em uma tentativa de aproximar o design ao público em geral. Além disso, há programas de mentorias para desenvolver novos produtos ou aperfeiçoar soluções de tecnologia social. São ações que mostram como o design pode impactar a vida das pessoas e contribuir com o desenvolvimento do Estado.

Confira a programação completa: https://www.instagram.com/p/C0PxkItvANe/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==

Serviço
Abertura LAD Awards na Kuya – Expor Brasil
Data: 14, 15 e 16 de dezembro de 2023
Local: Kuya — Centro de Design do Ceará
Programação gratuita e aberta ao público.
Mais informações: Kuya – Centro de Design do Ceará

Fonte:Repórter Ceará

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