sábado , 18 maio 2024
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Lula pondera riscos e tenta evitar presidente de oposição no Congresso

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tentam se reeleger nos pleitos internos do Congresso que acontecem nesta quarta-feira, 1º. Ambos os parlamentares contam com o apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas disputas.

Enquanto a interlocução entre Lula e Pacheco se mostrou orgânica desde as eleições gerais, havia dúvidas quanto à relação entre o petista e Lira. Presidente da Câmara desde 2021, o deputado foi um aliado de Jair Bolsonaro (PL) durante seu mandato e pediu votos para a reeleição do ex-presidente.

O PT aderiu à campanha de Lira somente no fim de novembro, quando tramitava na Câmara a PEC do Estouro, que possibilitou, entre outras medidas, a manutenção do Bolsa Família no valor de R$ 600. Apoiada pelo presidente da Casa, a proposta foi aprovada com mais de 20 votos de folga.

A cientista política Deysi Cioccari aponta que Lula busca minimizar riscos com o apoio a Lira. Ela explica que o petista conhece os riscos de ver no comando da Câmara um parlamentar de oposição.

O principal exemplo é o mandato de Eduardo Cunha (então no PMDB-RJ), que terminou com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016. Na ocasião, Lula não apoiou Cunha. Mais tarde, ele autorizou a abertura do impeachment da então presidente.

“Ao apoiar Lira, o PT está sendo pragmático. A ideia é tentar atravessar o mandato [de Lira, caso seja reeleito] com os menores arranhões possíveis. Lula não precisa de um inimigo dentro de Brasília”, explica.

O poder de agenda dos presidentes da Câmara e do Senado

A relação entre Lula e o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é menos sensível que o laço com Lira. O PSD, partido de Pacheco, tem três ministérios no governo do petista – Agricultura, Minas e Energia e Pesca.

Lira e Pacheco são favoritos à reeleição e, ainda que não sejam de legendas alinhadas ao PT, sinalizam diálogo com o Executivo. Esse cenário explica o apoio e acenos de Lula, na avaliação de Luciana Santana, cientista política e professora na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Em caso de eleição de um opositor para a presidência de uma ou das duas Casas, a agenda de políticas públicas do governo federal estaria em risco.

“O Executivo busca ter aliados ou, pelo menos, pessoas com quem possa dialogar [nas presidências]. A agenda de políticas públicas é do Executivo, mas depende da aprovação do Congresso e, consequentemente, de seus presidentes”, explica Glauco Peres, cientista político e professor da Universidade de São Paulo (USP).

Na primeira metade do mandato de Bolsonaro (entre 2019 e 2020), Rodrigo Maia (então no DEM-RJ, hoje no PSDB-RJ) presidiu a Câmara e não apresentou disposição para tramitar todas as pautas propostas pelo governo.

Em março de 2019, o ex-presidente reclamou publicamente do parlamentar: “A bola está com ele [Rodrigo Maia], não comigo. Eu já fiz a minha parte, entreguei, e o compromisso dele, regimental, é despachar e o projeto andar dentro da Câmara”, disse Bolsonaro ao cumprir agenda no Chile.

Fonte:Repórter Ceará – CNN

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