
O Brasil alcançou em 2024 os melhores resultados de renda, desigualdade e pobreza de toda a série histórica de pesquisas domiciliares. A conclusão está em nova nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisa os levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1995.
Eles destacam que o progresso não foi linear: concentrou-se sobretudo entre 2003 e 2014 e voltou a ganhar força entre 2021 e 2024. Em 2024, todos os indicadores — renda média, desigualdade e pobreza — alcançaram os melhores níveis já registrados pelas pesquisas domiciliares do país.
Com a combinação de crescimento econômico e queda da desigualdade, o país atingiu em 2024 os menores níveis de pobreza já registrados pelas pesquisas domiciliares. Apesar disso, 4,8% da população ainda vivia abaixo da linha de extrema pobreza (US$ 3 por dia), e 26,8% estava abaixo da linha de pobreza (de US$ 8,30 por dia). A redução acumulada desde 2021 foi especialmente intensa no primeiro ano da retomada pós-pandemia, mas manteve ritmo elevado até o final da série analisada.
Esses avanços foram resultado tanto do aumento da renda média quanto da mudança na própria distribuição de renda. No caso da extrema pobreza, mais de 60% da queda entre 2021 e 2024 decorreu da melhora distributiva.