
A exposição à luz durante a noite está ligada a alterações importantes e potencialmente prejudiciais na estrutura e função do coração. A conclusão é de um estudo liderado pela Universidade de Tulane, em Nova Orleans, nos Estados Unidos. Para o trabalho, os cientistas avaliaram mais de 11 mil pessoas. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (09/09), na revista European Heart Journal.
“Estudos observacionais anteriores associaram a exposição à luz noturna a um risco maior de doenças cardiovasculares, mas pouco se sabe sobre as alterações estruturais e funcionais cardíacas relacionadas. Realizamos esta pesquisa para descobrir o que acontece com o coração ao longo do tempo quando as pessoas são expostas a muita luz durante a noite”, afirmou o professor Lu Qi, líder da pesquisa.
O trabalho incluiu 11.071 pessoas que faziam parte do UK Biobank, um banco de dados do Reino Unido. Todos os participantes usaram um sensor de luz no pulso durante sete dias para medir os níveis de claridade durante a noite. Três anos depois, os voluntários fizeram uma ressonância magnética para examinar cuidadosamente as estruturas e funções do coração.
Em seguida, os pesquisadores compararam pessoas expostas a níveis de luz superiores a três lux — unidade de medida do Sistema Internacional de Unidades para a iluminância — com pessoas sem acesso a praticamente nenhuma claridade durante a noite.
A equipe demonstrou que pessoas com alta exposição à luz noturna apresentavam espessamento da parede do ventrículo esquerdo, uma das câmaras do coração, reduzindo o espaço interno da câmara. Havia indícios de que a capacidade do músculo cardíaco de se contrair durante os batimentos estava reduzida. Este é um indicador precoce de disfunção cardíaca. Os pesquisadores também encontraram alterações nos ventrículos direitos e nos átrios esquerdos, outras duas câmaras do órgão.